Voo MH17: Como a Rússia abateu um avião e tentou encobri-lo

Período: Atualidade Publicado: February 21, 2026
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Mentira do Kremlin

O voo MH17 foi abatido pela Ucrânia — pelo seu caça Su-25 ou por um míssil antiaéreo. A Rússia não tem nada a ver com esta tragédia

Factos

A investigação internacional (JIT) demonstrou: o avião foi abatido por um míssil Buk pertencente à 53.ª Brigada de Mísseis Antiaéreos das Forças Armadas russas. O sistema de mísseis foi transportado desde a Rússia e devolvido após o disparo. Um tribunal holandês condenou três pessoas

O que aconteceu

No 17 de julho de 2014, o voo Malaysia Airlines MH17 (Boeing 777) viajava de Amesterdão para Kuala Lumpur. Às 16:20 hora de Kyiv, o avião foi abatido sobre território controlado por milícias pró-russas no leste da Ucrânia (perto de Torez, oblast de Donetsk).

298 pessoas falecidas — todas as que estavam a bordo:

  • 196 cidadãos neerlandeses
  • 43 cidadãos malaios
  • 27 cidadãos australianos
  • 12 cidadãos indonésios
  • 10 cidadãos britânicos
  • E cidadãos de outros 6 países

Entre os mortos havia 80 crianças.

A investigação

Dutch Safety Board (OVV)

Outubro de 2015 — o OVV publicou o seu relatório técnico:

  • O avião foi destruído por uma ogiva de um míssil antiaéreo da série 9M38 de um sistema Buk
  • O míssil detonou à esquerda acima da cabine de pilotagem
  • Foram encontrados elementos de estilhaços característicos (em forma de borboleta) de um míssil Buk

Joint Investigation Team (JIT)

O JIT — grupo de investigação internacional formado pelos Países Baixos, Austrália, Bélgica, Malásia e Ucrânia — realizou uma investigação criminal.

Setembro de 2016 — o JIT anunciou:

  • O MH17 foi abatido por um míssil Buk da série 9M38
  • O sistema de mísseis pertencia à 53.ª Brigada de Mísseis Antiaéreos das forças armadas russas (com base em Kursk)
  • O sistema Buk foi transportado desde a Rússia para o território em mãos das milícias
  • Após o disparo, o sistema foi devolvido à Rússia — já com um míssil a menos

Bellingcat: provas de fontes abertas

O grupo de investigação Bellingcat realizou uma investigação paralela:

  • Rastreou o percurso de um Buk específico (número de veículo 332) desde a Rússia até ao local de lançamento e de volta
  • Encontrou fotos e vídeos do Buk transportado com um míssil a menos
  • Identificou militares russos específicos envolvidos no transporte
  • Usou geolocalização, metadados de fotos, testemunhos e comunicações interceptadas

Comunicações interceptadas

O Serviço de Segurança da Ucrânia publicou conversas telefónicas interceptadas dos milicianos:

  • Logo após o abate, os milicianos gabavam-se de ter abatido um «avião»
  • Quando ficou claro que era um voo civil — começaram a apagar rastros
  • A publicação de Girkin (Strelkov) sobre ter abatido um «An-26» foi apagada quando se soube que era um Boeing civil

O veredicto judicial

17 de novembro de 2022 — o Tribunal Distrital de Haia proferiu a sua sentença:

Culpados (à revelia):

  • Igor Girkin (Strelkov) — ex-oficial do FSB, «ministro da Defesa da RPD» — prisão perpétua
  • Sergei Dubinsky — oficial do GRU — prisão perpétua
  • Leonid Kharchenko — comandante miliciano — prisão perpétua

O tribunal estabeleceu que a Rússia exercia o controlo geral sobre as formações armadas da «RPD».

Versões russas e a sua refutação

Versão 1: «Um Su-25 ucraniano abateu o avião»

Refutada:

  • O teto operacional do Su-25 é de 7.000 m. O MH17 voava a 10.000 m — o Su-25 não consegue fisicamente alcançar essa altitude
  • O Su-25 é um avião de ataque terrestre, não um interceptor

Versão 2: «Um Buk ucraniano abateu o avião»

Refutada:

  • O JIT estabeleceu com precisão o percurso desse Buk específico — vinha do território russo
  • O número de série do motor do míssil corresponde a um lote nunca transferido para a Ucrânia

Versão 3: Falsas «imagens de satélite»

Refutada:

  • O Bellingcat demonstrou que as imagens tinham sido fabricadas — as sombras e metadados não correspondiam à data declarada

A reação da Rússia

  • A Rússia bloqueou a criação de um tribunal internacional da ONU (veto no Conselho de Segurança, julho de 2015)
  • Recusa-se a extraditar os condenados
  • Continua a negar o seu envolvimento, apesar do veredicto judicial

Conclusão

O MH17 não é uma «questão disputada». É o assassínio de 298 pessoas inocentes, incluindo 80 crianças, por uma arma das forças armadas russas. Isto foi demonstrado por uma investigação internacional, confirmado por um veredicto judicial e documentado com milhares de provas. A Rússia é responsável.

Fontes

  1. Joint Investigation Team (JIT) «O MH17 foi abatido por um míssil Buk da 53.ª brigada» (2016)
  2. Dutch Safety Board (OVV) «Investigação ao acidente MH17, 17 de julho de 2014» (2015)
  3. Bellingcat «MH17: The Open Source Evidence» (2015)
  4. Tribunal Distrital de Haia «Veredicto no caso MH17» (2022)

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