A Rússia não 'protege' os russófonos na Ucrânia

Período: Atualidade Publicado: January 15, 2026
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Mentira do Kremlin

Os russófonos são perseguidos na Ucrânia, a língua russa está proibida, e por isso a Rússia é forçada a protegê-los com força militar

Factos

Milhões de ucranianos falam livremente o russo. O presidente da câmara de Mariupol dirigia-se aos habitantes em russo. A Rússia 'protege' os russófonos matando-os com mísseis

Do que trata este mito?

Um dos narrativos-chave do Kremlin: a Ucrânia supostamente «proíbe» a língua russa, persegue os russófonos e leva a cabo «limpezas étnicas». Isto supostamente daria à Rússia o direito de os «proteger» — com bombas, mísseis e ocupação.

Este mito é uma mentira cínica facilmente refutada pelos factos.

O presidente da câmara de Mariupol: Dirigindo-se aos habitantes em russo

Um dos exemplos mais reveladores é Vadym Boichenko, o presidente da câmara de Mariupol. Quando a Rússia iniciou o cerco de Mariupol em fevereiro de 2022, o presidente da câmara gravou uma mensagem de emergência para os habitantes da cidade em russo — porque o russo era a principal língua quotidiana da maioria dos habitantes de Mariupol.

Nenhum funcionário ucraniano lho proibiu. Não houve sanções por isso. Isto é prática padrão na Ucrânia.

E depois a Rússia destruiu Mariupol — uma cidade onde a maioria da população falava russo. A «proteção» revelou-se ser o massacre em massa daqueles que supostamente deveriam ser protegidos.

Mariupol: Os números da «proteção»

  • Mais de 20.000 civis mortos (segundo estimativas da câmara municipal)
  • 90% do parque habitacional destruído
  • A grande maioria dos mortos eram russófonos
  • Uma maternidade, um teatro (com a palavra «CRIANÇAS» escrita no exterior), escolas e hospitais foram destruídos

A situação linguística na Ucrânia antes de 2022

Factos

Segundo inquéritos sociológicos (KIIS, 2021):

  • 30% da população considerava o russo como a sua língua materna
  • Mais de 40% falava predominantemente ou exclusivamente russo em casa
  • Em Kyiv — cerca de 50% da população usava o russo como principal língua quotidiana
  • Em Kharkiv, Odessa, Dnipro — o russo predominava na vida quotidiana

O que isso significava na prática

  • Televisão: dezenas de canais, programas e séries em russo
  • Internet: os bloggers ucranianos mais populares criavam frequentemente conteúdo em russo
  • Cinema: a maioria dos cinemas exibia filmes em russo
  • Livros: a literatura em língua russa era vendida livremente
  • Educação: existiam escolas e universidades em língua russa
  • Vida quotidiana: ninguém era perseguido pela sua língua de comunicação

A Ucrânia era um dos países mais bilingues da Europa.

A Lei das Línguas de 2019

O que a lei diz efetivamente

A lei «De Apoio ao Funcionamento da Língua Ucraniana como Língua de Estado» (2019) estabeleceu:

  1. O ucraniano é a única língua de Estado (tal como o francês em França e o alemão na Alemanha)
  2. Âmbitos de aplicação da língua de Estado: administração pública, educação, meios de comunicação, setor de serviços
  3. A comunicação privada NÃO é regulamentada — fale em casa, com amigos, na rua em qualquer língua
  4. As línguas minoritárias estão protegidas — para os tártaros da Crimeia, húngaros, romenos, polacos e outros

O que a lei NÃO proíbe

  • NÃO proíbe falar russo na rua, em casa ou com amigos
  • NÃO impõe sanção pelo uso do russo na vida quotidiana
  • NÃO proíbe a literatura em língua russa (exceto importações da Rússia após 2022)
  • NÃO exige que os cidadãos conheçam a língua ucraniana

A Comissão de Veneza

A Comissão de Veneza do Conselho da Europa avaliou a lei das línguas de 2019 e notou:

  • A lei está geralmente em conformidade com os padrões europeus
  • Recomendou o reforço da proteção das línguas minoritárias (húngaro, romeno) — não o russo
  • Não foram encontradas violações dos direitos humanos

Comparação com outros países

PaísPolítica linguística«Opressão»?
FrançaApenas o francês é língua de Estado. A lei Toubon proíbe palavras estrangeiras na publicidadeNão
LetóniaO letão é a única língua de Estado. Exame de língua para a cidadania. 25% da população são russófonosNão
EstóniaO estónio é a única língua de Estado. Exame de língua para a cidadaniaNão
RússiaO russo é a única língua de Estado para 190+ povos. As línguas minoritárias estão a ser deslocadasNão?
UcrâniaO ucraniano é a língua de Estado. O russo é livremente usado na vida quotidiana«Genocídio!!!»

Na própria Rússia, as línguas de dezenas de povos indígenas (tártaro, checheno, buriato, iacuto) estão a ser deslocadas pelo russo. Em 2018, a Rússia aboliu o estudo obrigatório das línguas nacionais nas suas repúblicas. Mas isso não é «opressão».

A ironia da «proteção»

Quem sofreu realmente

Após 2022:

Kharkiv (uma cidade predominantemente russófona):

  • Bombardamentos sistemáticos de bairros residenciais
  • Milhares de civis mortos
  • Destruição de infraestruturas

Odessa (uma cidade predominantemente russófona):

  • Ataques de mísseis a edifícios residenciais
  • Vítimas civis

Kherson (uma população significativamente russófona):

  • Ocupação, tortura, filtração
  • Após a libertação — bombardamentos sistemáticos da outra margem do Dnipro

Zelensky é russófono

A língua materna do presidente Zelensky é o russo. Cresceu em Kryvyi Rih, foi educado em russo e produziu o programa «Kvartal 95» em russo. Começou a usar ativamente o ucraniano apenas após ser eleito presidente — por sua própria escolha, não sob coação.

Se os russófonos fossem «oprimidos» na Ucrânia, Zelensky não poderia ter-se tornado estrela de comédia e depois presidente — com 73% dos votos.

A mudança linguística após 2022

Após a invasão em grande escala, milhões de ucranianos mudaram voluntariamente do russo para o ucraniano. Isto não é «opressão» — é uma escolha consciente:

  • As pessoas não querem falar a língua de um país que as bombardeia
  • A mudança para o ucraniano tornou-se um ato de resistência e identidade
  • Segundo sondagens de 2023: a proporção dos que falam ucraniano em casa subiu de 44% para mais de 60%

Ninguém forçou ninguém. A própria Rússia fez mais para popularizar a língua ucraniana do que qualquer lei — simplesmente atacando a Ucrânia.

Conclusão

A Rússia «protege» os russófonos destruindo as cidades onde vivem. Mariupol, Kharkiv, Odessa — cidades predominantemente russófonas que a Rússia bombarda.

Isto não é «proteção linguística». É um pretexto para a agressão — tal como a «proteção dos alemães dos Sudetos» em 1938.

Fontes

  1. Kulyk V. «Memory and Language: Different Dynamics in the Two Aspects of Identity Politics in Post-Euromaidan Ukraine» (2019) — Nationalities Papers
  2. Venice Commission «Parecer sobre a Lei de Apoio ao Funcionamento da Língua Ucraniana como Língua de Estado» (2019)
  3. Instituto Internacional de Sociologia de Kyiv «Situação linguística na Ucrânia» (2023)

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