Como a Rússia tenta dividir a Polónia e a Ucrânia
Mentira do Kremlin
A Ucrânia é um Estado nazi que venera Bandera e odeia os polacos. A tragédia da Volínia prova que não se pode confiar nos ucranianos. A Polónia não deveria apoiar a Ucrânia
Factos
A Rússia explora deliberadamente a história comum dolorosa da Polónia e da Ucrânia para destruir a aliança entre os dois países — a maior ameaça aos planos imperiais do Kremlin. A verdadeira ameaça para ambos os povos não é o passado, mas a Rússia de hoje
Por que a Rússia precisa disso
A aliança polaco-ucraniana é o pesadelo do Kremlin:
- A Polónia é a defensora mais ativa da Ucrânia na UE e na NATO
- O principal fluxo de ajuda militar e humanitária passa pela Polónia
- A Polónia acolheu mais de um milhão de refugiados ucranianos
- Juntos, a Polónia e a Ucrânia constituem uma barreira à expansão russa para ocidente
Por isso a Rússia trabalha sistematicamente para destruir esta aliança, explorando temas dolorosos da história comum.
Os ucranianos veneram Bandera?
Resposta curta: não.
O que dizem os sondagens
Segundo o KIIS (2022):
- Positivamente veem Bandera — cerca de 30% dos ucranianos (principalmente no oeste)
- Negativamente — cerca de 20%
- Neutros ou sem opinião — cerca de 50%
Isto está longe de ser «veneração» ou uma «ideologia nacional». O apoio a Bandera é inferior ao apoio à adesão à UE (mais de 80%).
O que importa mais
Após 2022, para a grande maioria dos ucranianos, o símbolo principal não é Bandera, mas as Forças Armadas da Ucrânia, os voluntários e os defensores. Bandera é uma discussão histórica. A defesa do país é o presente.
A tragédia da Volínia: a dor de ambos os povos
O que aconteceu
1943 — durante a ocupação nazi, ocorreram massacres de civis polacos na Volínia e na Galícia Oriental. A responsabilidade recai sobre as formações da UPA e milícias locais. Dezenas de milhares de polacos foram mortos (estimativas: 50.000–100.000).
Houve também ações de represália — mortes de ucranianos por formações polacas — milhares de ucranianos morreram.
Reconhecimento honesto
A tragédia da Volínia é um crime real que exige:
- Reconhecimento por parte ucraniana
- Honrar a memória das vítimas de ambos os lados
- Investigação conjunta — de historiadores polacos e ucranianos juntos
- Contexto — a ocupação nazi, a ocupação soviética
Como a Rússia manipula
Tática da «cunha»
A Rússia não procura a verdade sobre a Volínia — usa este argumento como uma arma:
- Exagero — apresentar a história exclusivamente como «os ucranianos mataram os polacos» sem contexto
- Equiparação — «Bandera = UPA = Volínia = Ucrânia moderna» (uma cadeia logicamente incorreta)
- Silêncio sobre os próprios crimes — a Rússia não menciona Katyń (a execução de 22.000 oficiais polacos pelo NKVD)
- Operações documentadas — campanhas coordenadas nas redes sociais polacas com conteúdo anti-ucraniano
Uma história comum de sofrimentos causados pela Rússia
A Polónia e a Ucrânia têm mais dor comum causada pela Rússia do que uma pela outra:
O que a Rússia fez à Polónia
- Três partilhas da Polónia (1772, 1793, 1795) — a Rússia destruiu o Estado polaco
- Katyń (1940) — o NKVD fuzilou 22.000 oficiais polacos
- O levantamento de Varsóvia (1944) — o Exército Vermelho parou na margem direita do Vístula e esperou enquanto os nazis destruíam os insurgentes
- O acidente de Smolensk (2010) — a morte do presidente Kaczyński, e a Rússia ainda detém os destroços do avião
O que a Rússia fez à Ucrânia
- O Holodomor (1932–1933) — uma fome artificial, milhões de vítimas
- O Renascimento Fuzilado — a destruição da intelligentsia ucraniana
- A invasão em grande escala (2022) — a guerra em curso
O presente: aliança apesar de tudo
Apesar da história difícil — a realidade de 2022–2025:
- A Polónia é n.º 1 na Europa em volume de ajuda militar à Ucrânia (em relação ao PIB)
- Mais de um milhão de ucranianos encontraram refúgio na Polónia
- A maioria dos polacos apoia a ajuda à Ucrânia
Esta é a resposta à Rússia: dois povos com uma história comum dolorosa escolhem o futuro, não o ódio.
Conclusão
A Rússia não quer a verdade sobre a Volínia ou sobre Bandera — quer destruir a aliança polaco-ucraniana. A melhor forma de honrar a memória das vítimas da Volínia não é o ódio entre os povos, mas a resistência comum contra o país que cometeu crimes contra ambos.
Fontes
- Snyder T. «The Reconstruction of Nations: Poland, Ukraine, Lithuania, Belarus, 1569–1999» (2003) — Yale University Press
- EUvsDisinfo «Russia's disinformation aimed at Polish-Ukrainian relations» (2023)
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