Como a Rússia tenta dividir a Polónia e a Ucrânia

Período: Atualidade Publicado: February 19, 2026
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Mentira do Kremlin

A Ucrânia é um Estado nazi que venera Bandera e odeia os polacos. A tragédia da Volínia prova que não se pode confiar nos ucranianos. A Polónia não deveria apoiar a Ucrânia

Factos

A Rússia explora deliberadamente a história comum dolorosa da Polónia e da Ucrânia para destruir a aliança entre os dois países — a maior ameaça aos planos imperiais do Kremlin. A verdadeira ameaça para ambos os povos não é o passado, mas a Rússia de hoje

Por que a Rússia precisa disso

A aliança polaco-ucraniana é o pesadelo do Kremlin:

  • A Polónia é a defensora mais ativa da Ucrânia na UE e na NATO
  • O principal fluxo de ajuda militar e humanitária passa pela Polónia
  • A Polónia acolheu mais de um milhão de refugiados ucranianos
  • Juntos, a Polónia e a Ucrânia constituem uma barreira à expansão russa para ocidente

Por isso a Rússia trabalha sistematicamente para destruir esta aliança, explorando temas dolorosos da história comum.

Os ucranianos veneram Bandera?

Resposta curta: não.

O que dizem os sondagens

Segundo o KIIS (2022):

  • Positivamente veem Bandera — cerca de 30% dos ucranianos (principalmente no oeste)
  • Negativamente — cerca de 20%
  • Neutros ou sem opinião — cerca de 50%

Isto está longe de ser «veneração» ou uma «ideologia nacional». O apoio a Bandera é inferior ao apoio à adesão à UE (mais de 80%).

O que importa mais

Após 2022, para a grande maioria dos ucranianos, o símbolo principal não é Bandera, mas as Forças Armadas da Ucrânia, os voluntários e os defensores. Bandera é uma discussão histórica. A defesa do país é o presente.

A tragédia da Volínia: a dor de ambos os povos

O que aconteceu

1943 — durante a ocupação nazi, ocorreram massacres de civis polacos na Volínia e na Galícia Oriental. A responsabilidade recai sobre as formações da UPA e milícias locais. Dezenas de milhares de polacos foram mortos (estimativas: 50.000–100.000).

Houve também ações de represália — mortes de ucranianos por formações polacas — milhares de ucranianos morreram.

Reconhecimento honesto

A tragédia da Volínia é um crime real que exige:

  • Reconhecimento por parte ucraniana
  • Honrar a memória das vítimas de ambos os lados
  • Investigação conjunta — de historiadores polacos e ucranianos juntos
  • Contexto — a ocupação nazi, a ocupação soviética

Como a Rússia manipula

Tática da «cunha»

A Rússia não procura a verdade sobre a Volínia — usa este argumento como uma arma:

  1. Exagero — apresentar a história exclusivamente como «os ucranianos mataram os polacos» sem contexto
  2. Equiparação — «Bandera = UPA = Volínia = Ucrânia moderna» (uma cadeia logicamente incorreta)
  3. Silêncio sobre os próprios crimes — a Rússia não menciona Katyń (a execução de 22.000 oficiais polacos pelo NKVD)
  4. Operações documentadas — campanhas coordenadas nas redes sociais polacas com conteúdo anti-ucraniano

Uma história comum de sofrimentos causados pela Rússia

A Polónia e a Ucrânia têm mais dor comum causada pela Rússia do que uma pela outra:

O que a Rússia fez à Polónia

  • Três partilhas da Polónia (1772, 1793, 1795) — a Rússia destruiu o Estado polaco
  • Katyń (1940) — o NKVD fuzilou 22.000 oficiais polacos
  • O levantamento de Varsóvia (1944) — o Exército Vermelho parou na margem direita do Vístula e esperou enquanto os nazis destruíam os insurgentes
  • O acidente de Smolensk (2010) — a morte do presidente Kaczyński, e a Rússia ainda detém os destroços do avião

O que a Rússia fez à Ucrânia

  • O Holodomor (1932–1933) — uma fome artificial, milhões de vítimas
  • O Renascimento Fuzilado — a destruição da intelligentsia ucraniana
  • A invasão em grande escala (2022) — a guerra em curso

O presente: aliança apesar de tudo

Apesar da história difícil — a realidade de 2022–2025:

  • A Polónia é n.º 1 na Europa em volume de ajuda militar à Ucrânia (em relação ao PIB)
  • Mais de um milhão de ucranianos encontraram refúgio na Polónia
  • A maioria dos polacos apoia a ajuda à Ucrânia

Esta é a resposta à Rússia: dois povos com uma história comum dolorosa escolhem o futuro, não o ódio.

Conclusão

A Rússia não quer a verdade sobre a Volínia ou sobre Bandera — quer destruir a aliança polaco-ucraniana. A melhor forma de honrar a memória das vítimas da Volínia não é o ódio entre os povos, mas a resistência comum contra o país que cometeu crimes contra ambos.

Fontes

  1. Snyder T. «The Reconstruction of Nations: Poland, Ukraine, Lithuania, Belarus, 1569–1999» (2003) — Yale University Press
  2. EUvsDisinfo «Russia's disinformation aimed at Polish-Ukrainian relations» (2023)

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