Como Putin chegou ao poder: explosões de edifícios, o Kursk e o açúcar de Riazan

Período: Atualidade Publicado: January 18, 2026
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Mentira do Kremlin

Putin é um líder democrático legítimo que salvou a Rússia do caos dos anos 90 e chegou ao poder graças ao apoio popular

Factos

A ascensão de Putin ao poder foi acompanhada de explosões de edifícios residenciais, uma guerra fabricada e a destruição sistemática da democracia. Há fortes razões para crer que o FSB esteve por trás dos atentados de 1999

Vladimir Putin in 1999, the year he became Prime Minister and then Acting President
Vladimir Putin in 1999 — the year of the Moscow apartment bombings, his appointment as Prime Minister, and Yeltsin's resignation Wikimedia Commons

Contexto: Rússia em 1999

Em agosto de 1999, um desconhecido ex-oficial do KGB, Vladimir Putin, foi nomeado primeiro-ministro. A sua aprovação era de 2%. Sete meses depois tornou-se presidente com mais de 50%. O que aconteceu?

As explosões de edifícios (setembro de 1999)

Uma série de explosões matou 293 pessoas e feriu mais de 1.000:

DataLocalVítimas
4 de setembroBuinaksk (Daguestão)62 mortos
9 de setembroMoscovo, rua Gurianova106 mortos
13 de setembroMoscovo, estrada Kashirskoje119 mortos
16 de setembroVolgodónsk17 mortos

As explosões ocorreram de noite. Blocos inteiros desabaram. O pânico tomou conta do país.

A versão oficial

O governo culpou terroristas chechenos e usou os atentados como pretexto para a Segunda Guerra da Chechénia. A aprovação de Putin saltou de 2% para 45% em semanas.

O açúcar de Riazan

22 de setembro de 1999 — moradores de Riazan viram indivíduos suspeitos a levar sacos para a cave. A polícia encontrou um dispositivo explosivo com detonador e temporizador ligado a sacos de hexogénio (o mesmo explosivo dos atentados anteriores).

A cidade foi evacuada. Os detidos eram agentes do FSB.

No dia seguinte, o diretor do FSB Nikolai Pátrushev declarou que fora um «exercício» e os sacos continham «açúcar».

Quem investigou — e o que lhes aconteceu

  • Anna Politkovskaiaassassinada a tiro a 7 de outubro de 2006 (aniversário de Putin)
  • Alexander Litvinenkoenvenenado com polónio-210 em Londres em 2006
  • Iúri Shchekotchíkhinmorreu de doença misteriosa (suspeita de envenenamento por tálio) em 2003
  • Serguei Yushénkovassassinado a tiro junto à sua casa em 2003

O submarino Kursk (agosto de 2000)

12 de agosto de 2000 — o submarino nuclear Kursk afundou no Mar de Barents. Morreram 118 marinheiros. Putin continuou de férias. A Rússia recusou ajuda estrangeira durante 5 dias. Perguntado sobre o que aconteceu, Putin respondeu: «Afundou» (com um sorriso).

Destruição da democracia

  • 2001 — destruição da NTV (último canal independente)
  • 2003 — prisão de Khodorkóvski
  • 2006 — assassinato de Politkovskaia, envenenamento de Litvinenko
  • 2014 — anexação da Crimeia
  • 2020 — «zeragem» de mandatos
  • 2024 — «eleições» sem oposição. Naválni morreu na prisão um mês antes. Resultado: Putin — 87,28%

Conclusão

Putin chegou ao poder através do medo (explosões), consolidou-o com a guerra (Chechénia), destruiu a oposição (Politkovskaia, Litvinenko, Naválni) e transformou a Rússia numa ditadura. A invasão da Ucrânia não é uma anomalia — é o resultado lógico de 25 anos de impunidade.

Fontes

  1. Satter D. «Darkness at Dawn: The Rise of the Russian Criminal State» (2003) — Yale University Press
  2. Litvinenko A., Felshtinsky Y. «Blowing Up Russia: The Secret Plot to Bring Back KGB Terror» (2007) — Gibson Square
  3. Politkovskaya A. «Putin's Russia: Life in a Failing Democracy» (2004) — Metropolitan Books
  4. Gessen M. «The Man Without a Face: The Unlikely Rise of Vladimir Putin» (2012) — Riverhead Books
  5. Korotkov Yu. «Курск. Субмарина в мутной воде» (2004) — France 2 / Transparences Productions
  6. Dunlop J. «The Moscow Bombings of September 1999» (2012) — ibidem Press

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